O Lanterinha
Ramirez
SAR Luíza
Viscondessa Evelin
Lady Francine
SAR Rafael
Conde Jackson
Lord Leonardo
Marquês Sandro
Conde Sir Maikon
Jorge
Duque Carlos
Rodrigo
Dani
Mário
LIVROS
A menina que roubava livros
Markus Zusak
O homem que via o trem passar
Georges Simenon
Todos os nomes
José Saramago
O largo da palma
Adonias Filho
Do amor e outros demônios
Gabriel García Márquez
O venho e o mar
Ernest Hemingway
Propaganda institucional
J. B. Pinho
Macho não ganha flor
Dalton Trevisan
Os verões da grande leitoa branca
Jamil Snege
Espinosa sem saída
Luiz Alfredo Garcia-Roza
Alice no país das maravilhas
Lewis Carroll
Em busca de Curitiba perdida
Dalton Trevisan
Memorial do convento
José Saramago

Reino-Ducado de Aberdeen
Ministério da Nobiliarquia e Casa Real
Território Real da Caterva
Palácio da Caterva, 11 de janeiro de 2008.
Decreto 01/08 – institui o período de regência no Reino.
Eu, Rei-Duque Lucas Gandin I, faço saber que:
Art. 1: fica instituído no período entre os dias 12 de janeiro de 2008, às 00h, e 14 de janeiro de 2008, às 20h, o Período de Regência no Reino-Ducado de Aberdeen.
Art. 2: fica nomeado Princesa Regente Lady Juliana da Silva Brusque, Baronesa de England Hill.
Art. 3: a Princesa Regente terá poderes ilimitados durante o Período de Regência, os dos quais será destituído quando o Período de Regência se findar.
Art. 4: as ações e atividades desenvolvidas pela Princesa Regente perderão sua validade ao se findar o Período de Regência.
§ 1º: a Princesa Regente não poderá outorgar ou cassar títulos nobiliárquicos ou honoríficos.
§ 2º: ficará ao cargo de El-Rey, deferir ou indeferir as ações e atividades desenvolvidas pela Princesa Regente.
Art. 5: este decreto entra em vigor no ato de sua publicação.
Divagado por lg
Reino-Ducado de Aberdeen
Divagado por lg
Casa nova
Divagado por lg
Fuga de si
Divagado por lg
A esquecer-se da vida
Divagado por lg
Eterno divagar
Divagado por lg
Asozinhado
Divagado por lg
Medo
Divagado por lg
Felicidade vencida
Divagado por lg
Bis
Divagado por lg
21.12.07
Ministério da Nobiliarquia e Casa Real
Território Real da Caterva
Palácio da Caterva
Decreto 05/07 – institui o período de regência no Reino.
Eu, Rei-Duque Lucas Gandin I, faço saber que:
Art. 1: fica instituído no período entre os dias 21 de dezembro, às 20h, e 25 de dezembro, às 18h, o Período de Regência no Reino-Ducado de Aberdeen.
Art. 2: fica nomeado Príncipe Regente, SAR Bruno Vilela Angeli, Príncipe de Nova Inglaterra.
Art. 3: o Príncipe Regente terá poderes ilimitados durante o Período de Regência, os dos quais será destituído quando o Período de Regência se findar.
Art. 4: as ações e atividades desenvolvidas pelo Príncipe Regente perderão sua validade ao se findar o Período de Regência.
§ 1º: o Príncipe Regente não poderá outorgar ou cassar títulos nobiliárquicos ou honoríficos.
§ 2º: ficará ao cargo de El-Rey, deferir ou indeferir as ações e atividades desenvolvidas pelo Príncipe Regente.
Art. 5: este decreto entra em vigor no ato de sua publicação.
8.9.07
http://lucasea.blogspot.com
3.7.07
Havia uma angústia, um ar seco, sufocante, denso, poeirento... e a angústia se lhe era maior ao gritar e sentir a voz entalar enviesada na garganta ecoando o grito de socorro dentro de si.
E era assim: fugia das multidões, pávido de se ver refletido nalguns rostos transeuntes, se ausentava dessa horda histérica de iguais a si mesmo, numa falsa intenção de ausentar-se de si, anulava-se nas horas inconscientes praguejando contra sua incontrolável consciência.
Um processo de fuga, como se fugindo dos outros conseguisse fugir de si – entender aqueles humanos no seu mundo era não entender a si e se buscava minimamente olhar-se no espelho e poder responder suas perguntas.
Assim, nessas horas de incompreensão muda é que entrava em si, introspectivo e procurava pelo seu perdido nalgum canto lúgubre. Perdido nesse labirinto vinha-lhe a vontade de gritar, um calor sonoro que lhe subia o corpo, desde os poros da pele, mas a passagem travada lhe impedia de pôr o grito fora e aquele mal inaudível lhe queimava o âmago, lhe doía a alma e lhe angustiava tirando-lhe o rubor da face e a vida dos olhos.
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Imagem: Fuga, de Henrique Augusto

29.5.07
No dia seguinte não fez o de-comer, nem o desjejum ou pequeno-almoço, nem as outras refeições do dia, sequer uma água-e-sal ou a torrada esquecida no fundo do pote de torradas. Não aderiu àquelas pirações de greve de fome; iniciava, pois seu intento de esquecer-se da vida. E, como conseqüência da barriga vazia, não fez as necessidades fisiológicas normais a um não-birrento.
Deitado na cama, decidiu não mais andar e não mais andou, como também decidiu não mais mexer braços, mãos e pés e assim não mais mexeu braços, mãos e pés. Fechou os olhos e não mais os abriu, desistindo de ver as coisas todas tolas que seus olhos sem algum senso crítico lhe projetavam nas retinas.
Dormiu e não mais acordou; deixou-se ficar perdido naqueles sonhos ou dormências, mas ainda tinha vivo os pensamentos, as angústias e aquelas coisas todas encaixoladas, impregnadas tão encalacradamente.
Como último passo, decidiu não mais pensar e sua mente entrou num estado híbrido de inércia e hibernação, ficou-lhe apenas um fundo preto às idéias, sem sequer aquele fio brilhante apontando a cessão das atividades vitais.
E assim esqueceu-se da vida e ficou assim até que a vida esqueceu-se dele.
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Imagem: Vida, de Rodolfo Franco.
20.5.07
Mire e aperceba, que lá, a algumas léguas e meia daqui, num canto mais longe que minhas idéias de lonjura desenham, lá nos arrabaldes donde nem conheço, há um moço, moço-rapaz dos olhos acastanhados. Parece que ele é meio amalucado, feito doido, sabe?, mas sei bem que tem nele quê de estranho, só que um quê de estranho de bom, quê de estranho que me transmite alegria e essa paz calma que sinto assim aqui dentro.
As vontades é de estar lá, com ele, perdido na louca fantasia de sentir seu lábio num beijo roubado, só quer num beijo roubado e depois fugido, pra que esse moço-rapaz embeste de tomar a si de volta o que lhe roubei. As vontades também é de brincar com seu corpo, sentir de frio a quente a cada passo avançado dos meus dedos, e assim caminhando por entre vales e morros, florestas e pampas findar a viagem no paraíso cá na terra.
Já encaxolei que um dia embesto de romper as léguas; um dia desses me arranco daqui, pé na rua rumo ao norte, coração guia de minha de viagem. Mas quero chegar de mansinho, assim sorrateiro, nem barulho nem sobra nem cheiro; na surdina, tapar seus olhos e trazer seus lábios ao meus... mire que já estou sim nem sei como dizer como. E ao lado dele, o rodopiar dos dias quero bem lento pra que um dia seja dois e meu passar com ele, dobrado; quero tudo errado pra com ele fazer acertado e o tempo assim parado, pra com as idéias nos beijos dele eternamente divagar.
Imagem: desconheço o autor
2.5.07
Quando levou a primeira rasteira do Dia, às nove e meia da manhã, - não, ele não caiu por distração, de fato o Dia, numa certa traquinagem, resolveu lhe derrubar logo do início da manhã - decidiu viajar a seu mundo, um lugar deserto, colorido com suas próprias alegorias fabularias. Era-lhe simples, bastava com a mão abrir a fenda no espaço e passar pro lado de lá sorrateiramente, sem dar motivos ou permitir que o vissem migrar.
Lá dormia durante uma parte do tempo, tempo que corria mais rápido, numa velocidade ideal para fazer o dia passar a galopes e assim enterrá-lo em definitivo no mausoléu do passado. Outra parte do tempo, ficava a conversar consigo, mas o seu eu desatinado, incompreensível e inacessível.
Ali vivia histórias de reis e nobres, histórias de prêmios ganhados, de amor desejados, ali era o que era em sua essência. O asozinhar-se lhe permitia ao menos curar-se do tombo inesperado da manhã. Ali ficou um tempo indeterminado a nós, um tempo em que pode resetar sua memória e alegrar-se a ponto de poder retornar ao mundo, mesmo desejando ser só eternamente.
Imagem: [desconheço o autor]
3.4.07
Enfim cá estamos, não? e já atrasados. Sente e te acalma, pois fugir dessa conversa não dá mais. De fato nós fugimos um do outro e topamos assim aqui num momento em que não esperávamos, sim estamos protelando, embora não saiba eu que queres de mim. Quero que nos entendamos qual caminho seguiremos. Eu para cá e tu para lá, de preferência sem tua sombra me perseguir. Impossível, conjugamos o mesmo corpo, a mesma pele e a mesma consciência. Não! Tenho cá a minha e tu pensas como achas ético, cá minha pensadura só me incomoda quando tu metes o bedelho e aí tua ética conflita à minha e daí fica eu e tu assim. Enquanto insistires em ir para lá e eu pro lado contrário bateremos cabeça feito bois irracionais. Tá se sou a e tu z, como seremos nós dois uma só letra? ... ... ... ... Viu, não tens a resposta. Mas juntos deveremos chegar a ela. É impossível, incabível; vais fazer que coisa? matar-me ou a ti? Sem eu tu não és e sem ti eu não sou e só vais ser uno quando eu escolher morrer e do contrário a mim.
Os dois se levantaram já bêbados daquela mesa de bar. Cada um tomou seu rumo, mas andaram juntos, porque eram as duas personalidades de uma pessoa.
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Imagem: desconheço o autor

26.3.07
Abriu os braços para sentir a brisa que ventava no alto daquele prédio. Não era bem uma brisa, era um vento intenso, forte e envolvente, um abraço frio, daqueles que arrepia os pelinhos dos braços e ouriça a nuca, mas não frio a ponto de gelar a cara. De braços abertos, o vento tremulava a camisa xadrez como bandeira e agitava o cabelo longo, querendo carregar os fios acastanhados.
Inclinou-se a frente muito sutilmente, pequenos graus de desafio ao vento: quem venceria ele ou o vento? Às vezes o vento dava sinais de desertar, de render-se incondicionalmente à batalha vencida; uma estratégia de guerra para reunir forças e voltar arrasador. Contudo, no meio dessa querela, descobriram-se amigos, ele e o vento.
Despiu-se para sentir a intensidade do vento, para sentir cada golpe, cada corrente tocar-lhe todas as partes de seu corpo e envolvido pelo vento, inclinou-se a ponto de vencer a resistência, inclinou-se entregando-se a um lépido momento entre o limiar da vida e da morte e deixou-se cair do alto daquele prédio, rompendo o vento e deixando-o conduzir-lhe à felicidade vencida; entregou-se ao vento, que a cada sergundo tornava-se mais intenso.
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Imagem: Espelho d'água (infelizmente não conheço autor e data, quem souber me avise que eu dedico o crédito).

15.3.07
Talvez seja assim isso que se chama amor: um toque de mãos, um simples toque que explora cada dedo, cada linha - a do amor, a da vida, a da emoção e até as que nem foram traçadas ainda. Durante o toque de mãos, ele sentiu um calor, daqueles calores que surgem dentro da gente quando o coração derrapa e que arde feito brasa.
Os dois olharam-se nos olhos, a ponto dele se perguntar donde vinha aquele brilho que nos dela havia e, tentando encontrar a resposta para tal questão, aproximou-se tão perto dela que os seus lábios ligeiramente se tocaram. Ela fechou os olhos e sonhando recebeu dele o beijo e os afagos no rosto e o cafuné na nuca.
E, é claro, um só beijo multiplica-se feito praga danada de gostosa em outros infinitos beijos ¿ impossível contá-los. Nem dá vontadinha de parar de beijar, nem de des-abraçar. À noite, ele lembrava-se dessas horinhas neutras e talvez seja assim isso que se chama amor: transformar em sonhos as lembranças de tais horinhas.
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Imagem: O beijo, de Auguste Rodin
